Um bom destino para o óleo de cozinha usado
O que você faz quando termina de usar o óleo de cozinha? A maioria acaba descartando no ralo da pia. Por mais inofensivo que isso possa parecer, saiba que 1 litro desse líquido pode poluir até 25 mil litros de água.
Mas os malefícios vão além. Eles impactam no meio ambiente e chegam a encarecer o tratamento da água em até R$ 0,25. Ou seja, interferem no seu bolso também.
Para saber como descartar de forma correta e consciente, veja o que pode ser feito para evitar danos, como a contaminação e o entupimento de canos e tubulações de esgoto do seu condomínio.
Foto: Canva
Óleo de cozinha: para onde vai?
Em primeiro lugar, é importante lembrar que tem aumentado o número de pessoas morando em prédios residenciais. Essa grande escala acaba se tornando um potente gerador de resíduos, que são prejudiciais para todos, se não forem descartados da forma correta.
A curto prazo, o prejuízo ao jogar o óleo em ralos, pias e vasos sanitários, não é percebido pela população. Em contrapartida, no decorrer do tempo, o líquido em questão acaba fixando nas paredes internas dos encanamentos de esgoto.
Consequentemente, acarreta um entupimento do sistema de encanamento e das caixas de gordura encontradas nos condomínios. Aliás, esses baldes de coleta evitam que dejetos caiam na rede pública de esgoto. Porém, se o óleo vier junto, todas as partículas de gordura sobem até a superfície do equipamento, além de sujá-lo mais rápido.
Como já falamos, isso tende a elevar os custos de manutenções e também atraem baratas e ratos para o local. Também podem afetar solos, corpo hídrico e aterros sanitários. Por exemplo, cada litro de óleo usado pode impermeabilizar centenas de metros de solo.
E sabe aquelas enchentes que são capazes de destruir cidades? O descarte correto é uma forma de ajudar a evitar esse tipo de desastre.
O melhor destino
Muitos produtos trazem praticidade no dia a dia das pessoas, como esse óleo que é usado para preparar alimentos.
Esse tipo de “ingrediente”, normalmente, é considerado descartável e perecível. Porém, esse ciclo de vida menor tende a ser danoso e causar graves problemas ambientais.
Então, a solução seria não usá-lo mais? A grande questão não é o seu uso e, sim, o destino que, geralmente, é escolhido após cumprir a sua função na cozinha.
Sendo assim, vale pensar em alternativas mais benéficas. Uma delas é apostar em empresas e organizações, que são especialistas em reaproveitar o líquido. Essa mudança de pensamento, faz com que esses resíduos sejam reaproveitados de um jeito mais vantajoso.
Sabia que a partir desse descarte, é possível criar desde itens para a limpeza de casa até alguns que colaboram para que você possa se locomover pela cidade?
Empreendimentos com esse foco, conseguem transformá-lo em resina para tintas, sabão, detergente, amaciante, sabonete, glicerina, biodiesel, lubrificante para carros, entre outros inúmeros produtos.
Como funciona?
Para começar, veja se o seu prédio firmou alguma parceria que disponibiliza bombonas para a coleta. Por exemplo, na região do Grande ABC, uma das instituições pioneiras em educar e facilitar atitudes sustentáveis, visando a reciclagem do óleo de cozinha usado, foi o Instituto Triângulo.
Aliás, a coordenadora de novos projetos, Nathália Cavalcanti, explicou que o instituto, sem fins lucrativos, tem por objetivo realizar a retirada em condomínios e outros estabelecimentos, como restaurantes.
Eles fornecem todo material necessário para o acondicionamento desta substância, além de treinamentos para descarte dentro dos recipientes e materiais de comunicação, sem nenhum custo. O papel deles é conscientizar os moradores e colaboradores sobre o quanto é importante adotar pequenos hábitos sustentáveis e mostrar qual é o impacto disso no meio ambiente.
Assim que é recolhido, o material vai até a base de tratamento do Instituto Triângulo e especialistas fazem uma análise minuciosa para a retirada de impurezas, resíduos e água. “Após essas etapas, 10% do óleo coletado é separado para a produção do nosso sabão biodegradável e o restante é transportado para uma usina de Biodiesel”, diz Cavalcanti.
Viu como é bem mais vantajosa essa opção sustentável e não aquela que contamina a natureza e o entupimento de canos e tubulações de esgoto? Com isso, não é preciso ter mais gastos ao contratar especialistas para realizar o desentupimento.
Claro que ainda há muito trabalho pela frente e de acordo com o Instituto Triângulo, as ações de conscientização têm sido realizadas com mais frequência. Em 2019, antes da pandemia, o descarte incorreto era de 94% e, atualmente, é de, aproximadamente, 89%. O comparativo, sem dúvida, traz esperança.
E quem colabora, ganha vantagens. A coordenadora disse que a cada 2 litros de óleo que eles recebem, entregam 2 pedras de sabão biodegradável.
Outra informação relevante é que existem diversos tipos de óleos de cozinha, como os vegetais, virgens, extravirgens e de gordura animal. Alguns são considerados mais saudáveis do que outros, certo?
Entretanto, independente de qual seja usado para fritar um bife ou batata frita, é fundamental saber que todos, sem exceção, não podem ter como destinos bueiros ou ralos. O contrário tende sim a provocar grandes impactos ambientais.
Para ajudar a ter um planeta mais sustentável, é importante que hábitos sejam adotados no dia a dia.
Se por um acaso, no lugar em que se vive não tiver nenhuma empresa ou instituição parceira com esse viés do descarte, é possível armazenar esse líquido em garrafas PET. Ao guardar, não esqueça de levar em algum ponto de coleta de confiança. Lembre-se dos produtos que podem render e da utilidade deles na rotina de todos.
Simples atitudes são capazes de mudar o mundo. Algumas são mencionadas com mais frequência, como separar o lixo que pode ou não ser reciclável. De fato, agir dessa forma é indispensável para conseguir resultados benéficos para a natureza. Porém, precisamos lembrar da importância do descarte consciente do óleo de cozinha também.
Então, não esqueça de fazer a sua parte de várias formas!