Água: quem disse que esse recurso é infinito?
Afinal, é possível que a água acabe no mundo em algum momento? Não é de hoje que as autoridades e os especialistas no assunto abordam sobre a sustentabilidade e a economia desse recurso hídrico.
De todos os alertas emitidos, vale ressaltar que mais de 70% da superfície do Planeta Terra é coberta por água. Porém, de acordo com dados da WWF-Brasil, menos de 1% é própria para consumo dos seres vivos.
Aliás, existem poucas fontes de água doce (a que pode ser usada), que são: rios, lagos e águas subterrâneas. Contudo, grande parte desses recursos está sendo poluída, contaminada e degradada por conta de práticas errôneas da humanidade.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 uma a cada quatro pessoas irá pertencer a um país onde a falta de água potável será crônica. Então sim, esse meio de sobrevivência é finito e precisa ser preservado.
No Brasil, temos a maior concentração de água doce no mundo. Em contrapartida, é possível observar um aumento da seca nas últimas décadas. O descaso, desperdício, mudanças climáticas, entre outros fatores, colaboram para que essa fonte de água esteja sendo ameaçada.
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Por exemplo, a ONU deixa claro que cada pessoa necessita de 3,3 mil litros de água por mês (cerca de 110 litros por dia). Porém, cidadãos brasileiros acabam consumindo mais de 200 por dia. E apesar do acesso à água encanada ter aumentado por aqui, ainda não é o suficiente para atender toda a população.
Na Water Conference 2023, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, informou na coletiva de imprensa, que é essencial agir em conjunto para dividir esse recurso e gerenciá-lo de maneira sustentável.
Sendo assim, é fundamental que cada um faça a sua parte. Está mais do que na hora de deixar o mito da abundância de lado e encarar: se não houver mudanças, a escassez fará parte da realidade de todos.
Como posso ajudar?
Sabe aquele banho demorado que parece inofensivo? Sempre que pensar que a água usada nesse momento não irá piorar o cenário atual, lembre-se dos dados informados no começo dessa matéria.
O mesmo serve na hora de escovar os dentes ou usar a pia para fazer a barba. Realize essas tarefas com a torneira desligada e evite desperdício. Além disso, não esqueça de verificar se todas as torneiras do apartamento estão bem fechadas, incluindo registros de chuveiros e bidês. Isso evita que fiquem pingando de forma contínua.
Caso haja vazamentos nesses locais, assim como nos vasos sanitários e aquecedor central, busque ajuda de um especialista que saiba consertar. Também é possível regular a válvula de descarga dos banheiros e acioná-la o mínimo indispensável. Falando nisso, ao fazer uso de eletrodomésticos, como máquina de lavar roupa e louça, fique atento às suas capacidades máximas, que normalmente os fabricantes recomendam.
O condomínio, por sua vez, também pode colaborar. Prédios com lavanderias e banheiros com chuveiros de uso coletivo tendem a consumir uma quantidade alta de água. E há possibilidade de reúso nessas áreas comuns. O recomendado é implementar um processo que esteja interligado com o sistema hidráulico desses espaços. É um pouco mais complexo, porém é eficiente ao cumprir o objetivo em questão.
Há uma norma, a NBR 13969 de 1997, que tem por objetivo oferecer alternativas de procedimentos técnicos. Essa por exemplo, diz que o recurso hídrico pode ser reutilizado em descargas de bacias sanitárias, informando apenas que deve ser desinfetada antes.
Vale ressaltar que essa prática só pode ser realizada para fins não potáveis, como limpeza de veículos, pisos e paredes, irrigação de jardins e árvores. Mas as mesmas não devem ser usadas para tomar banho, beber, cozinhar, entre outras funções.
Fique de olho!
Vamos a alguns números interessantes: aquele bom e velho banho de ducha por 15 minutos, com o registro aberto apenas na metade, consome 243 litros de água. Mas saiba que se fechá-lo por completo ao passar o sabão e reduzir essa atividade a 5 minutos, o consumo cai para 81 litros.
Viu como simples atitudes trazem resultados significativos? A princípio, pode parecer difícil, mas esse tipo de hábito é necessário e tem o poder de mudar as perspectivas do futuro.