Precisamos falar sobre a saúde mental
Você sabe quantas pessoas tiram a própria vida por ano? No Brasil, há registro de 14 mil casos anuais. Em média, isso significa 38 episódios por dia. Aliás, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, o suicídio é a 4ª causa de morte, perdendo apenas para acidentes de trânsito, tuberculose e violência interpessoal, entre jovens brasileiros, de 15 a 29 anos de idade.
Mas os números alarmantes não param por aí. De acordo com a OMS, a taxa é maior do que a morte por HIV, malária ou câncer de mama. E é a segunda causa de óbito entre cidadãos mais novos no mundo todo.
Foto: Canva
Setembro Amarelo
Em 2013, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, acrescentou no calendário nacional a importante campanha: Setembro Amarelo, que tem alcance internacional e, atualmente, é a maior iniciativa anti estigma mundial.
Desde 2014, a ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), divulga e conquista parceiros para que essa jornada tenha um efeito positivo e chegue a mais gente. Existe um tabu em relação a esse tema e, por mais compreensível que seja, falar sobre é uma maneira de alcançar mudanças significativas em todos os países existentes.
Falando nisso, a OMS indicou que a taxa global diminuiu 36% nas duas últimas décadas. Em contrapartida, a região das Américas está indo na contramão e apontou um aumento de 17%. Porém, é importante lembrar que no passado, não era comum registrar a causa da morte como suicídio, por conta desse “preconceito” que existia e ainda existe.
Oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é no dia 10 de cada mês de setembro, mas as ações não ficam limitadas a essa data. Esse ano, o lema central é “Se precisar, peça ajuda”, onde a ideia é falar que cada um deve atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem.
Abordar esse assunto é fundamental. Consequentemente, quem está passando por um momento difícil e de crise, terá mais chance de buscar auxílio e entender que escolher a vida é a melhor saída sempre. E, sim, praticamente 100% de todos os casos estão relacionados a transtornos mentais, principalmente os que não estão diagnosticados ou sendo tratados corretamente.
Há quem acredite que nada pode ser feito para mudar o rumo da história de quem está pensando em optar por esse caminho. Mas especialistas confirmam que a maioria dos casos pode ser evitada se as pessoas tiverem acesso a informações verídicas e tratamento psiquiátrico.
Quando alguém decide pôr um fim em sua vida, saiba que os pensamentos, sentimentos e as ações são restritivos. Ela não consegue perceber as inúmeras possibilidades que existem e pensa de forma rígida por conta da distorção que o sofrimento emocional ocasiona.
Por esse e outros motivos, é indispensável se informar para aprender e, claro, ajudar o próximo para que o mesmo veja que há como lutar contra o problema que está enfrentando.
A sua ajuda faz a diferença
O suicídio é um problema de saúde pública e que impacta na sociedade como um todo.
Esse fenômeno complexo afeta os mais variados indivíduos, independente de sua origem, sexo, cultura, classe social, idade, entre outras características.
A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), criada em 2003 pelo Ministério da Saúde, divulgou que em setembro de 2022, houve um aumento de 49,3% nos índices de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos e de 45% entre jovens de 10 e 14 anos.
Além disso, saiba que as taxas entre o público masculino, normalmente, são mais altas em países de alta renda. Enquanto isso, o sexo feminino é mais acometido em locais de baixa-média renda.
Contudo, é válido ressaltar que não há uma regra. Por exemplo, nos últimos anos, a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) impactou e impacta até hoje na saúde mental. Ninguém está imune. Dito isso, entenda que cada conversa faz a diferença no dia a dia de quem tem ideias suicidas.
É de extrema importância que familiares, amigos e conhecidos saibam identificar sinais de que algo está acontecendo e colaborem, através de uma escuta ativa e sem julgamentos. Nem sempre é fácil, principalmente, se há um laço afetivo. Porém, esteja disponível e demonstre empatia.
De maneira alguma trate a situação como bobagem. Transtornos, como depressão e ansiedade, não são simples e é preciso ter cuidado. E atenção! Ainda existe um preconceito em consultar um psiquiatra. Em contrapartida, ele é o profissional que irá saber como manejar a situação e mudar o caminho do paciente.
No mais, fique de olho em cada comportamento, desde uma publicação, aparentemente inofensiva no Instagram, queixas sobre o sentido da vida, até um distanciamento de quem era tão próximo da família, dos amigos e dos grupos sociais.
Percebeu algum indício incomum? Mais uma vez: não julgue e nem faça comentários, como “isso é fraqueza” ou “você quer chamar atenção”. Seja compreensível, acolha e busque auxílio de um especialista.
Alguns hábitos colaboram na prevenção e na melhora dos sintomas. Seja você ou não a pessoa que está passando por sérios problemas, tenha ciência de que ter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas contínuas colaboram a manter a cabeça com saúde.
Por fim, é válido divulgar a existência do Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional e consegue prevenir suicídios. O atendimento é voluntário e gratuito para todos, sem exceção e garante total sigilo. Pode ser feito através de um telefonema (188), e-mail ou chat.
Incentive também a campanha “Setembro Amarelo” no condomínio em que você mora. A partir de eventos, que tenham palestras com terapeutas, por exemplo. Promova caminhadas que envolvam a vizinhança e a família, tudo em prol da vida.
Também é bem-vindo estimular o uso dos laços amarelos ao longo do mês. Uma sugestão é deixar uma cesta com as fitas na recepção ou na portaria, com o intuito de despertar a curiosidade. Espalhe folhetos com explicações e sempre dissemine informações verdadeiras e relevantes.
Com pouco, é possível ser uma grande rede de apoio eficiente. Não apenas hoje, mas durante os outros 365 dias do ano também. Para saber mais, acesse o site www.cvv.org.br.